A Lacuna chamada Hamas

Já diria o sábio Ministro das Relações Exteriores de Israel “Vocês Veem muitos Filmes de James Bond” (22/02/2010). Mas nós que gostamos de cinema, podemos bolar uma boa idéia sobre as causas da eleição do Hamas e da sua permanência no governo da Faixa de Gaza (vulgo Palestina).

O que torna um grupo como o Hamas capaz de assumir o poder? Uma escolha da comunidade internacional.

Todos sabiam que a Palestina é um vácuo estatal no Oriente Médio, dividido em duas partes e separado pelos israelenses. Um Estado Palestino não terá um Território Palestino pleno e sem intervenções. Isso é fato. Mas o que faria o papel de governo se as bases de uma soberania (território e população) não estavam plenamente disponíveis? Tanto quem afirma que o Hamas foi democraticamente eleito, quanto os que afirmam que o Hamas é um grupo terrorista que domina um Estado, estão errados. Os Palestinos nunca tiveram a chance de provar democracia ou ditadura, pois nunca pertenceram à uma nação do Estado Palestino.

Num “Estado” desprovido de condições básicas de vida, como um Hospital, uma escola, um supermercado, abastecimento de combustíveis e energia, etc, ganha popularidade e apoio quem fornece os meios de uma população viver. O Hamas é dono de muitos projetos de infra-estrutura que favorecem a população, seu braço armado é o resultado da anarquia (ausência de poder central soberano). O que acontece é que a comunidade internacional “reconhece” quem ela aceita como melhor representante dos palestinos (Fatah e Arafat faziam esse papel até a ascensão do Hamas). Isso não é uma forma de intervenção?

Eu não acho justificável as ações do Hamas, mas eu concordo que a resistência possui racionalidade em sua existência. Não concordo com as ações unilaterais de Israel, mas admito a racionalidade envolvida. O que é inaceitável é a campanha pela extinção da vida que as armas injustas e desproporcionais provocam. Isso alimenta o radicalismo de ambos os lados. Além do mais, ninguém tem coragem de tentar resolver o problema do Oriente Médio. Todos possuem tantos interesses políticos envolvidos que estão corrompidos.

O Hamas é um facilitador da existência da extrema direita Israelense que agora governa. Racionalidade não significa justiça. As coisas mais horrendas podem ser racionalizáveis, mas se são éticamente ou moralmente condenáveis, nem Alá nem D’eus vão concordar. Qual o caminho seguido pelo hezbollah no Líbano? Após Israel destruir a estrutura do país em 2006, a recontrução coube, em grande parte, ao grupo Hezbollah, que com certeza atingiu um nível de popularidade maior do que nunca e trouxe um sentimento nacionalista libanês à tona. Quando o Hezbollah for associado à legitimidade estatal, tudo estará corrompido e uma estrutura estatal antes existente, será utilizada a serviço do “novo governo libanês”. O Estado sumirá e uma anomalia estrutural surgirá.

Este é o efeito conhecido de quando as pessoas são tratadas como ratos de laboratório. Enjauladas sem condições de vida, rendem-se ao primeiro fanático que lhes der um mínimo de condições de vida. Hitler surgiu assim… Já nos EUA a moda é falar em Santuários (Estados cujo governo é subjugado por grupos que exercem o poder de fato) e Estados Falidos, cujo poder não dá conta de todos os problemas internos de segurança. Não há diferença, uma estratégia de morte e sofrimento causa o sentimento moral de vingança e arrasta no ódio um turbilhão de almas prontas para matança.

De agora em diante, cada dia é um passo a mais para concretização do holocausto DO Oriente Médio todo.

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One Response to “A Lacuna chamada Hamas”

  1. Interesting and informative. But will you write about this one more?

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