Dividir e Conquistar? - Oriente Médio
Uma das inovações napoleônicas foi a famosa estratégia de dividir e conquistar. No entanto, ela tem algumas circunstâncias razoáveis para ser útil e eficaz.
Atualmente Israel ataca diplomaticamente, com veemência, os governos da Síria e do Líbano, em uma série de ameaças que vão desde a repetição do ataque ao Líbano e a completa destruição de sua infra-estrutura até ameaças de morte e deposição do governo sírio. A intenção é implantar um medo coletivo e criar uma divisão ainda maior entre os Estados árabes (já são divididos e brigam entre si, especialmente Líbano e Síria). No entanto a estratégia israelense deu errado e criou o pior dos mundos e o melhor dos mundos para Netanyahu.
LÍBANO
Pior dos mundos porque o Líbano constitucional, liderado pelos Hariri já fez uma aliança com a milícia Hezbollah, extremamente fortalecida e com lideranças politicamente ativas na reconstrução do Líbano após a fracassada ofensiva israelense de 2006. O Hezbollah é o principal obstáculo militar à Israel em todo o Oriente Médio. Nenhum argumento é suficiente para deter uma milícia armada até os dentes (e a esta altura do campeonato, não importa muito se com ou sem ajuda iraniana).
Melhor dos mundos porque a aliança entre o governo constitucional e o Hezbollah determinam que qualquer ação da milícia é legitimada pelo governo. O que acaba com um dos principais argumentos da ofensiva de 2006, de que o Hezbollah não era parte do governo libanês e, portanto, o ataque era à milícia e não ao país. A covardia da destruição liderada pelo exército israelense era digna de quem tem medo e atira para todo lado com o melhor arsenal possível.
SÍRIA
Bassar Al-Assad não é um governante querido no Oriente Médio, mas cumpre um papel diplomático razoável com EUA e UE, mas é uma diplomacia de idas e vindas, o que deixa Israel ameaçando cada vez mais a sobrevivência deste Estado, desde a tomada das Colinas de Golã em 1967. Aos poucos os israelenses ameaçam e buscam enfraquecer a imagem do governo sírio, a ponto de declararem que a guerra jamais é descartada. A resposta síria foi simples, qualquer guerra irá atingir o território israelense.
Eu acho que atualmente um conflito em grande escala contra os países árabes vai significar uma chuva de bombas de lado a lado, mas vale lembrar que Israel possui a melhor tecnologia, mas o menor território. Israel se inspira muito nos EUA, mas esquece que os conflitos americanos ocorrem em outro continente, bem longe de sua capital e de sua própria população civil.
Foram necessárias algumas centenas de foguetes do Hezbollah para opinião pública de Israel começar a condenar Ehud Olmert pela ofensiva fracassada e covarde. Algumas bombas de verdade mostrarão aos israelenses que verdadeiros judeus não possuem sede de sangue, ao contrário destes líderes covardes que promovem suas carreiras em cima da discórdia. Em um passado históricos, na Judéia, hebreus conviviam em paz com outros povos. O resgate desta memória é evitada em Israel.
Isso tudo sem comentar um eventual ataque ao Irã, Estado que entraria com mais vontade em qualquer guerra contra Israel. Uma guerra em 3 frentes é muita coisa. 1967 não se repetirá, as guerras são outras, as estratégias são outras, mas os sádicos líderes são cópias.



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