Honduras - Reconhecer ou Não?

Sim, todos devemos reconhecer o pleito Hondurenho. Mas Por Que?

O problema é que estamos imerso em diversas posições que se vestem de ideologias, quando não passam de pura política barata. O Brasil abrigou Zelaya em sua embaixada quase vazia a pedido de Chávez, que indicou o caminho das pedras para um fracasso. A aposta era a de que o povo libertaria Zelaya de seu cativeiro politico e o reconduziria ao poder, como um messias. Bobagem. Foi em aposta parecida que Jânio renunciou à presidência do Brasil e nunca mais voltou.

Zelaya é um latifundiário, dono de um império em dinheiro e posses. Apesar de tentar passar uma imagem de esquerda inteligente e pessoa alinhada com os ideias de redistribuição de renda e etc, ele é um exemplar clássico da elite minoritária que dominou a América Central por muito tempo e ainda estabelece poder esmagador sobre a maioria da população. Um contra-senso que não pode ser justificado por nada além da retórica política.

Se os métodos para expulsão de Zelaya podem ser questionados, e aqui vamos considerar então que foi um “Golpe Civil” pois Suprema-Corte e organismos Legislativos do país são civis, ainda assim podem ser justificados à luz de qualquer observador. Zelaya ia sim causar mudanças constitucionais unilateralmente, utilizando a vontade de um povo alienado como justificativa para medidas de auto-favorecimento. Ele ia sim organizar uma pressão de propaganda para que seu legislativo fosse obrigado a engolir o que sua minoria parlamentar não aprovara da forma convencional. Representava sim uma ameaça à constituição e foi ceifado da política como deve ser feito.

Brasil e seus aliados Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina deram apoio à Zelaya, assim como EUA e Costa Rica inicialmente. Embargos foram impostos e o povo hondurenho pagou por pertencer a um Estado incapaz de cessar a intromissão internacional em seus assuntos. Se fato semelhante tivesse ocorrido na Rússia ou na China, nenhum outro país agiria de forma tão intervencionista e prática como agimos agora. EUA e Costa Rica mudaram de posição, afinal, defesa de princípios dúbios e verdades que mudavam de lado a cada semana, cansam.

O povo hondurenho não pode ser mais sacrificado pela crise política. O presidente da Costa Rica disse algo semelhante à isso na terça-feira (01/12). Ele tem razão. Zelaya pode esbravejar o quanto quiser, só demonstra que ele quer afundar o país junto com sua ideologia barata e seus planos fracassados de poder. O reconhecimento internacional dos resultados eleitorais que levaram Porfírio “Pepe” Lobo do Partido Nacional (PN) ao poder, irá levar ao fim dos embargos e à retomada do cotidiano hondurenho longe da crise.

O problema some, Zelaya fica na embaixada brasileira. Até quando? Sua última oportunidade de voltar ao poder era a aprovaçao no Congresso Hondurenho da iniciativa que anulava as eleições e reconhecia o direito de Zelaya à presidência (dando inclusive mais tempo no poder para o ex-presidente, afinal, ele perdeu muito tempo sendo deposto). Porém, a medida perdeu de 111 (contra Zelaya) a 14 (a favor). A população compareceu à votação e deixou clara sua vontade de mudanças.

Por isso o Brasil deve reconhecer uma eleição democrática e sua ratificação pelo Congresso. Como argumentar contra isso? Não há forma racional. “Centenas de simpatizantes de Zelaya protestam contra a votação do Congresso e eleições” muitos irão dizer, mas até hoje nos aniversários de morte de Franco, milhares de espanhóis prestam homenagem. Será então que Franco deveria voltar ao poder caso estivesse vivo? Claro que não, a Espanha é maior do que isso assim como Honduras é um Estado maior do que o governo de Zelaya.

Vamos ter um pouco de senso de democracia. Protestam contra ou a favor do que quiserem, mas o que o legislativo e o judiciário deliberam, é sim para ser obedecido. Se não, viva a anarquia e a derrocada dos valores democráticos que tão hipócritamente defendemos.

Related Posts

Trackbacks

Leave a Reply

get yahoo smilies plugin or delete this text from comments.php