PolÃticas Bélicas - EUA e Rússia
Kant já deixava claro em “A Paz Perpétua” que as polÃticas entre os Estados deveriam ser realizadas à luz do dia. Ou seja, com conhecimento compartilhado e maior transparência possÃvel. Enfim, algo que movesse a espiral de violência para longe, já que uma espiral de conflito não se formaria com plena confiança de intenções entre as partes envolvidas.
Algo que soa um tanto lógico, mas que os EUA parecem estar aprendendo. Após muitos anos de insistência de Nye martelando os conceitos e ações de “soft power”, muitas mudanças sutis parecem estar acontecendo. Os jogos de pré-temporada da NBA e da NFL estão ocorrendo em outros paÃses, a música e o cinema dos EUA estão cada vez mais infiltrados em canais de televisão baratos ao redor do mundo, é quase impossÃvel imaginar algum jovem que desconheça qualquer seriado da TV americana, etc. Mas talvez o passo maior tenha sido a mudança de concepção em relação à Rússia.
Bush filho tinha a pretensão de instalar um escudo anti mÃsseis no quintal russo (qualquer um que pense que República Tcheca e Polônia não pertencem à influência russa, está vivendo outro perÃodo histórico - em última instância, a Geórgia demonstrou como os EUA não ajudam seus aliados na borda russa). Claro que isso despertou a insegurança e a desconfiança, o que deteriorou ainda mais as relações EUA-Russia. Obama fez o gesto positivo de cancelar esse projeto, retomando as conversações paradas e contribuindo para inserção da Rússia numa teia de interdependência que a torne menos volátil. Além disso, Hilary Clinton está em Moscou propondo, neste instante, a criação de um sistema comum de defesa, envolvendo EUA e Rússia como lideranças no assunto.
Movimento excepcional de avanço diplomático. Nada é mais difÃcil de integrar e avançar do que assuntos que tratem de armamentos e mÃsseis. O trabalho em conjunto traz segurança prática e garante uma aliança pouco mais duradoura do que apenas tratados. Claro, sempre há alguém que paga por isso, e neste caso é a Ucrânia, sacrificada em prol de “interesses maiores”. Ou seja, a alegria americana e russa depende da infelicidade ucraniana, que volta a ser utilizada como um satélite russo na região e passa a sofrer cada vez mais pressão de Medvedev.
Palmas para Obama e lágrimas para Ucrânia. Palmas para Kant e lágrimas para Waltz.



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