LULA - Jesus Cristo do Brasil


Nada é melhor do que o tempo. Ele prova e ensina que estamos errados ou corretos por algum julgamento anterior. Lula foi eleito como um político ético, como a maior esperança que a massa brasileira já teve. Independente da ideologia e dos rumos tomados pelo seu governo, é o nosso político mais popular.
Mas o maior erro de algum pretenso estadista é tentar ludibriar o povo. O povo não é uma instituição, muito menos sábia, mas é um órgão vital para o Estado e seu andamento. Governos são temporários, o Estado não. “Lula, o Filho do Brasil” é um filme sofrível de promoção política. Nosso presidente é retratado como um garotinho pobre de familia miserável que sai de uma vida sofrida rumo à capital financeira do país. Isso não é novidade em nossa história e pode muito bem ser verdade.
O problema é que há a tentativa de criação de um mito. Os defeitos de qualquer ser humano, como Lula é e tem, foram estratégicamente “esquecidos” e suas qualidades (ele tem algumas) foram elevadas ao extremo. Vamos pensar um pouco, qual personagem histórico era desprovido de defeitos e trouxe ensinamentos por onde passou? Qual personagem tornou-se símbolo martirizado e sofreu por todos os humanos?
Lula representa um messias na idéia do filme. É um garoto pobre que triunfou pelas suas virtudes e bondades, e essa obra prima do cinema foi internacionalmente desmascarada. Publicações de renome como “the Economist” “The NY Times” dentre outras, perceberam esse viés no filme. Pipocaram diversas biografias diferentes do presidente Lula, todas mostravam um ser humano de defeitos que chegava à presidência da República. Inúmeros defeitos foram exaltados desde então, e parece que todo este movimento está surtindo efeito, já que o filme não estourou como grande sucesso de bilheteria (como se esperava).
A população em geral pode ser ignorante, pode ser maltratada e alienada por inúmeras razões e por inúmeros conglomerados de comunicação, mas subestimar sua razão é digna de fracasso. Um rapaz pobre que cresce, adquire sucesso, só possui virtudes e se mantém humilde apesar de todas as tentações, é um aspirante à Jesus Cristo. Com um cristo presunçoso destes eu prefiro ser ateu.
2010 é ano de eleição, o filme lançado meses antes da eleição é marketing estratégico, não inocência política. Se o filme fosse lançado após a morte de Lula, não haveria problema, Saudosismo é natural do ser humano. Mas tentar nos ridicularizar dessa forma é uma piada.
2010 – Ano do Ateu político!

Análises | fev 5

O “Império” de Chávez está ruindo…


Inevitavelmente todas as estruturas ruirão um dia. Foi assim com a democracia ateniense, com repúblicas diversas, com impérios e também com ditaduras. Quando a nossa democracia republicana é utilizada para enaltecer uma bagunça institucional como a que Chávez causou na Venezuela, algo está errado… e prestes a ruir.

Chávez implantou um regime dito populista (não o é, pois claramente algumas escolhas - chaves - sem trocadilhos - foram retiradas da população) e com isso fez o que quis de suas instituições, financiado pelos quase infinitos recursos petrolíferos. Brigava com Bush, dizia palavras engraçadas e alusões maltrapiras sobre os EUA na ONU, brincava de herói declarando guerra moral ao imperialismo americano, mas nunca deixou de vender 1 mísero barril ao “império yankee”. Distribuiu alimentos à população mais pobre (isso é bom), mas forçou empresas e distribuidores a manterem os preços congelados com uma inflação de dois dígitos anuais.

O problema foi quando o ímpeto bolivariano de Chávez decidiu ditar regras econômico-sociais. Ninguém controla a inflação com congelamentos de preços (o Brasil é mestre em inflação e já aprendeu isso há muitos anos), pressão política não regula mercados, investidores podem sim sair quando bem entenderem e só um esqueleto industrial não faz muita coisa sozinho. Ninguém também pode censurar os meios de comunicação porque não transmitiram os discursos do líder venezuelano. Claramente Chávez é como um bebê chorão que não aceita perder sua audiência para seriados. Tenho certeza que Discurso de Chávez x Two and a Half Men = vitória esmagadora de Charlie Harper e sua boa vida americana.

Além do mais, retirando os meios de comunicação em massa que fazem a oposição, Chávez deseja calar um mundo globalizado que duvida de sua capacidade em seguir adiante com seu projeto ambicioso de conquistar o mundo. Mas a intenet está ai, youtube, tweeter, facebook, tudo isso ainda levará informação à elite venezuelana, que descontente, iniciará um processo de derrocada de Chávez, e isso deve acontecer logo. Apagões energéticos e o racionamento de energia prejudicarão a economia de forma devastadora, além da desvalorização do Bolívar. A renúncia do vice-presidente e ministro da defesa Ramón Carrizales é um bom sintoma. Este era defensor e grande aliado de Chávez durante os 11 anos passados de poder. Foi levado ao poder devido à estreita relação com o ditador e provavelmente renunciou por motivos básicos, nem os melhores aliados de Chávez vivem sem sua novelinha importada e seriados americanos.

Com certeza Chávez partirá para ofensiva. Torturas, prisões políticas (mais), ameaças e tensões deverão aparecer de agora em diante. Como um rato preso em sua própria masmorra ele irá gritar, esbravejar e ridicularizar mais sua imagem perante o mundo. Até o momento em que seus próprios aliados escaparem da alienação e perceberem que só tem a perder fechando o país. A Venezuela tinha uma chance de maior integração com o mundo e de diversificar sua matriz industrial e energética, no entanto, escolheu o caminho individual, da dependência no petróleo e do isolamento. Azar do ditador e de seu povo.

Análises | jan 26

Knowledge is Power - Iran


Today, DEC.07/2009 few students from Iran University in Teeran fought well the national guard. They were claiming again that the elections on June were unfair and that the government is a dirty dictatorship. Are they wrong?

University is a place of ideas and free discussion, exactly the main threat to totalitarian regimes, like Khamenei has in its hands. When the government tries to manipulate the students into organized militias and pro-government movements like the Basiji Militia, mainly formed by pro-Iran regime students, the real intention is to spy the discussions and ideas that are held upon the resistance groups. Today 2.000 students marched into the campus to provide the resistance movement, whch suffered a lot of persecution and torture on the hands of the police after the strikes on Jun.12 elections.

MIr Houssein Mousavi is supposed to be the leader of this new protesters in Teeran. He was the defeated (?) candidate in Iran, and has the support of some developed nations in Europe and a share of support from the Obama government. He is acknowledged as a resistance simbol, and an intelligent opponent of Ahmadinejad and Khamenei, which can bring a lot of problems in the future.

When the students mobilize like that, it is time to worry about a regime change. Usually they are violent when treated and they all know technology very well. Twitter and You tube will be important weapons of propaganda and they will provide the picture inside the country. Foreign journalists and the press are forbidden to be close to the confrontations and can’t cover the real story behind the statecraft media. Than the students are posting more and more videos and tweets. The world’s public opinion can be aware of what’s happening, they just need to give it a try.

This can be the start of a real movement inside Iran. That will prove to everybody that interventionism only damages more the situation. If some students with attitude could really change Iran, than the US might see that Iraq people would defeat Saddan Husseim whenever they want to. It would be an important lesson for everybody.

Students have knowledge. Knowledge is power and can change, even the worst scenario.

Análises | dez 7

Honduras - Reconhecer ou Não?


Sim, todos devemos reconhecer o pleito Hondurenho. Mas Por Que?

O problema é que estamos imerso em diversas posições que se vestem de ideologias, quando não passam de pura política barata. O Brasil abrigou Zelaya em sua embaixada quase vazia a pedido de Chávez, que indicou o caminho das pedras para um fracasso. A aposta era a de que o povo libertaria Zelaya de seu cativeiro politico e o reconduziria ao poder, como um messias. Bobagem. Foi em aposta parecida que Jânio renunciou à presidência do Brasil e nunca mais voltou.

Zelaya é um latifundiário, dono de um império em dinheiro e posses. Apesar de tentar passar uma imagem de esquerda inteligente e pessoa alinhada com os ideias de redistribuição de renda e etc, ele é um exemplar clássico da elite minoritária que dominou a América Central por muito tempo e ainda estabelece poder esmagador sobre a maioria da população. Um contra-senso que não pode ser justificado por nada além da retórica política.

Se os métodos para expulsão de Zelaya podem ser questionados, e aqui vamos considerar então que foi um “Golpe Civil” pois Suprema-Corte e organismos Legislativos do país são civis, ainda assim podem ser justificados à luz de qualquer observador. Zelaya ia sim causar mudanças constitucionais unilateralmente, utilizando a vontade de um povo alienado como justificativa para medidas de auto-favorecimento. Ele ia sim organizar uma pressão de propaganda para que seu legislativo fosse obrigado a engolir o que sua minoria parlamentar não aprovara da forma convencional. Representava sim uma ameaça à constituição e foi ceifado da política como deve ser feito.

Brasil e seus aliados Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina deram apoio à Zelaya, assim como EUA e Costa Rica inicialmente. Embargos foram impostos e o povo hondurenho pagou por pertencer a um Estado incapaz de cessar a intromissão internacional em seus assuntos. Se fato semelhante tivesse ocorrido na Rússia ou na China, nenhum outro país agiria de forma tão intervencionista e prática como agimos agora. EUA e Costa Rica mudaram de posição, afinal, defesa de princípios dúbios e verdades que mudavam de lado a cada semana, cansam.

O povo hondurenho não pode ser mais sacrificado pela crise política. O presidente da Costa Rica disse algo semelhante à isso na terça-feira (01/12). Ele tem razão. Zelaya pode esbravejar o quanto quiser, só demonstra que ele quer afundar o país junto com sua ideologia barata e seus planos fracassados de poder. O reconhecimento internacional dos resultados eleitorais que levaram Porfírio “Pepe” Lobo do Partido Nacional (PN) ao poder, irá levar ao fim dos embargos e à retomada do cotidiano hondurenho longe da crise.

O problema some, Zelaya fica na embaixada brasileira. Até quando? Sua última oportunidade de voltar ao poder era a aprovaçao no Congresso Hondurenho da iniciativa que anulava as eleições e reconhecia o direito de Zelaya à presidência (dando inclusive mais tempo no poder para o ex-presidente, afinal, ele perdeu muito tempo sendo deposto). Porém, a medida perdeu de 111 (contra Zelaya) a 14 (a favor). A população compareceu à votação e deixou clara sua vontade de mudanças.

Por isso o Brasil deve reconhecer uma eleição democrática e sua ratificação pelo Congresso. Como argumentar contra isso? Não há forma racional. “Centenas de simpatizantes de Zelaya protestam contra a votação do Congresso e eleições” muitos irão dizer, mas até hoje nos aniversários de morte de Franco, milhares de espanhóis prestam homenagem. Será então que Franco deveria voltar ao poder caso estivesse vivo? Claro que não, a Espanha é maior do que isso assim como Honduras é um Estado maior do que o governo de Zelaya.

Vamos ter um pouco de senso de democracia. Protestam contra ou a favor do que quiserem, mas o que o legislativo e o judiciário deliberam, é sim para ser obedecido. Se não, viva a anarquia e a derrocada dos valores democráticos que tão hipócritamente defendemos.

Análises | dez 3

Nobel da Paz com 30 mil soldados a Mais


Obama é praticamente um semi-Deus. Ele consegue ganhar um Nobel da PAZ sustentando guerras e aplificando as mesmas. O Afeganistão é o maior expoente do fracasso tático americano na última década, e vai receber mais trinta mil soldados em 2010. Quem sabe assim as coisas melhoram por lá….

Talvez o que falte a Obama é o devido aconselhamento. Como justificar uma medida dessas, se o anúncio de retirada das tropas é para 2011? 30 mil boinas verdes passeando em meio ao caos durante menos de 1 ano? É esse o plano de resolver uma guerra de 6 anos? Um diploma em matemática não é exigência para ver que algo está errado nessa conta. Assim como um garçom manco, a conta de Obama peca em uma peça fundamental: A construção do Estado-Nação e a identidade “democrática” por lá - motivo inicial do conflito.

Veja, implantar a democracia não é colocar um parafuso e uma porca numa parede. É um pouquinho só mais complexo do que isso, afinal, há toda uma percepção política e uma influência do regime dominante que expande a idéia de intervenção, isso é catastrófico em termos militares. Se o objetivo fosse realmente arrebentar terroristas, não seria tão difícil (em tese). Mas como a implantação da democracia exige uma construção de longo prazo, que não está sendo feita, o caso se instala e os grupos terroristas possuem células misturadas à população civil.

O fracasso estava no planejamento, foi muito presente na execução e agora nosso Nobel da Paz está tendo o cuidado de fechar com chave de ouro uma das mais fracassadas investidas na história recente da raça humana. Uma intervenção que foi como uma pedra grande num rio, suficiente para espalhar gotas (células terroristas) para todo lado, mas incapaz de mudar o curso da água. Hoje todos os países vizinhos possuem problemas de fronteiras com o Afeganistão e as constantes incursões talebans em seus territórios - Não que antes não tivessem, mas agora têm a quem culpar. O Paquistão é o próprio reduto sunita de violência e o Estado perde poder a cada dia.

Além de espalhar as células terroristas para os vizinhos, Obama não sinalizou até agora nenhuma intenção em manter a Turquia do lado ocidental e só contribui para que o Estado turco - modelo na separação entre religião e política após a queda do Império Otomado - volte-se cada vez mais para o Oriente Médio e intervenha em seus problemas. Isso acaba tornando a situação mais tensa, pois se os árabes sentem-se desconfortáveis com Israel de um lado x Persas de outro, quem dirá com os Otomanos influenciando novamente uma região que dominaram por 400 anos? Lembrando que os turcos foram rejeitados pela UE e não foram elevados à qualquer papel especial na OTAN, que apoiam há décadas.

Nada foi feito também para melhorar a imagem dos EUA perante o resto do mundo. Guantanamo está aberta e funcionando a todo vapor. A CIA continua interrogando criminosos e violando as liberdades de que os americanos tanto se orgulham. Obama e Bush - qual a diferença?

Análises | dez 2

Poítica, Religião, Exército - Israel em Chamas


Existem algumas pessoas inocentes que não vêem forma da religião influenciar a política. Afinal de contas, em um regime democrático (mesmo considerando que muita porcaria é assim chamada hoje em dia) os conflitos e decisões são subordinadas ao colarinho branco e seus arranjos.

Porém, quando um clero passa a influenciar setores que, na prática, possuem o poder de fato, o quadro fica feio. A democracia em questão é Israel, e a situação controversa é:

Uma forte polêmica agita o Exército israelense desde que os soldados religiosos manifestaram sua intenção de desobedecer as ordens superiores em caso de evacuação das colônias judias da Cisjordânia.
A hierarquia do Tsahal (Exército), preocupada com esta situação, pediu aos rabinos, diretores de escolas talmúdicas que enviam seus alunos para o exército, que condenem publicamente esses soldados. De acordo com o general Tzvi Zamir, diretor de recursos humanos do Tsahal, alguns rabinos incitam seus jovens discípulos a desobedecer as ordens contrárias a sua fé.
A controvérsia surgiu depois que quatro soldados que exibiam cartazes hostis às operações de evacuação das colônias judias ilegais da Cisjordânia foram condenados a penas de prisão. Outros foram punidos por seus superiores
. (publicado no site da VEJA. Link para reportagem completa).

É extremamente desagradável um Estado ser controlado e ter seus interesses direcionados à questões religiosas, como acontece em Israel (e aqui eu não absolvo Irã, Hamas ou qualquer entidade que utilize a religião como artefato para política, antes que críticos hipócritas utilizem a retórica antiga). Há uma diferença em relação aos outros, a de que Israel conclama ao mundo suas posições democráticas e alinhadas com o ocidente.

Esse tipo de resistência de ortodoxos que, transborda os limites da hierarquia militar é extremamente preocupante, uma vez que ordens de Estado podem ser desobedecidas por quem possui armas. Desobediencia civil propositada e localizada é uma coisa, organização militar que tornar-se-á ilegal (paramilitar) em resistência e desobediência à uma ordem explícita e oficial, tanto política quanto hierarquicamente superior, é um caso grave e problemático, que vai mobilizar e movimentar a opinião pública israelense em seu devido tempo.

É cada vez mais inevitável a criação de um Estado Palestino formalizado e reconhecido pela ONU. Os israelenses terão que abandonar terras que roubaram em acampamentos ilegais e serão obrigados a conviver com os vizinhos. Se os soldados mais alinhados com os Rabinos ortodoxos iniciarem sua guerra santa contra os muçulmanos palestinos, dará-se a desgraça.

Toda retórica israelense irá por água abaixo se esse pequeno grupo tornar-se forte.

Análises | nov 27

Ahmadinejad no Brasil


Muitos protestos contra a visita de Ahmadinejad estão acontecendo por todo Brasil. Alguns muito mais públicos do que outros.

Ontem a noite (23/11/2009) por exemplo, o Sr. Reinaldo Azevedo no Jô Soares fez uns 5 minutos de discurso contra a visita de Ahmadinejad e a recepção no Brasil de um homem que nega o holocausto e é tão homofóbico e etc, todo aquele discurso que já conhecemos. Ok, eu gosto muito de críticas e não sou defensor do regime no Irã, mas eu gostaria de ver a mesma ferrenha posição (não só do Sr. Reinaldo) como de toda imprensa e todos os que protestam, na visita do Presidente de Israel (Perez) semana passada aqui no Brasil. Ele não nega o holocausto, mas é figurinha conhecida na direita Israelense e já deixou claro, em mais de uma oportunidade, que gostaria de varrer os palestinos do mapa (atirar com foguetes de fósforo branco é um claro sinal….)

O problema todo se resume na hipocrisia. Se o Brasil, Estado, não pode receber Ahmadinejad e firmar acordos porque ele desrespeita e persegue politicamente alguns setores, não podemos receber nenhum outro líder além de Obama e uns cinco europeus talvez. Isso nos traria de volta a anos infelizes duma era em que dependíamos de nos alinhar à interesses que eram contrários aos nossos para ficarmos bonitos na foto com o resto do mundo.

Se o prestígio do Brasil vai cair internacionalmente, o Estado brasileiro é maior do que isso, nossa diplomacia também. Enfrentamos os problemas internacionais que o Irã enfrenta atualmente quando passamos a enriquecer urânio e tivemos que nos abrir à inspeções da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). Porque então não cobramos essa postura da Índia ou da Rússia?

Vamos parar de ser inocentes. Não vi protestos quando Lula se reuniu com inúmeros outros líderes de países que praticam atos iguais ou piores do que Ahmadinejad. E se formos pensar bem, esses líderes não deveriam vir ao Brasil. Afinal, matamos nossas crianças de fome ou desespero, sem futuro. Matamos nossos jovens mergulhados em drogas e em tráfego. Você que lê esse blog é excessão, é a elite. Corresponde a 20% do Brasil. Desrespeito aos direitos humanos é realizar uma copa do mundo e olimpíadas sem suprir demandas básicas da população.

Ahmadinejad é controverso, mas é apenas um boneco. Kamenei e sua trupe de Aiatolás Xiitas comandam o Irã há muito tempo. Separar política e religião é inteligente, já comprovamos isso historicamente, mas criticarmos um regime que não é nosso, não é um pouco a postura dos EUA que tanto criticamos? Se democracia é a solução para o Irã, vamos também atacá-los e implantar algo que nos pareça melhor? Criticar por criticar é constatar o óbvio. Acho que quando o povo iraniano se cansar o suficiente, eles derrubam o regime que for, afinal, possuem alguns milênios de história e ensinamentos que nem imaginamos.

O Irã é aliado importante. Muito mais importante do que Chávez ou líderes de papel por aí. Só gostaria de ver críticas sérias e soluções propostas, se não vamos criticar qualquer líder que apareça por aqui. Vamos expandir nossa influência e nossas parcerias. O que os outros fazem em casa, não é de nossa conta, afinal, se os filhos deles não fazem nada, quem somos nós para fazer?

Análises | nov 24

Conferência sobre o clima de Copenhague


Toda vez é a mesma ladainha, e dessa vez não será diferente.

Vejo críticas ao Brasil por todo lado sobre como deveríamos assumir mais responsabilidades e metas sobre o clima. Mas pensando bem, o que é responsável? EUA e China que arregaçam o clima mundial e poluem mais do que todos juntos não assumem postura séria. O Brasil não foi apontado como líder de nada, e realmente não deve se comportar como tal.

Responsabilidade climática não é jogo de soma zero. Se todos no mundo menos 3 se comprometerem a cortar 70% das emissões, ainda assim esses 3 representarão uma fatia tão grande que não compensará o esforço dos outros. Além de tudo, é uma reunião sem comprometimento e sem acordo sério, muitas intenções e planos serão feitos, alguns líderes de Estado vão propor mudanças e criar slogans, os americanos não moverão uma palha e o resto do mundo também ficará só na parte das intenções.

O triste é que haja tanta mobilização por algo sem resultado. Tomara que no futuro os governantes mundiais tenham mais responsabilidade e possam resolver o assunto sem criar um circo. Num futuro sem água potável, sem ar respirável e sem alternativas, eles serão lembrados por cada fracasso como este.

Os europeus são especialistas. Não tem a coragem dos americanos para admitirem que não farão nada e soltam palavras vazias aos 7 ventos. Os japoneses são simpáticos, os chineses antagônicos, os americanos arrogantes, os brasileiros e indianos são pragmáticos, mas todos têm em comum a realidade em suas mentes.

Nada irá mudar. Muitas promessas vão surgir e nada irá se concretizar.

Análises | nov 19

Venezuela x Colômbia = Chávez x Colômbia


Chega um certo momento em políticas heterodoxas e ousadas, onde um inimigo vem bem a calhar. Esse é o caso da saudosa Venezuela.

Era um Estado que tinha tudo para dar certo. Um oásis de petróleo numa região pobre, belezas naturais e uma cultura antiga. Nada disso resiste ao poder de Chávez e sua imensa capacidade de estragar negociações em toda América do Sul. Colômbia e Venezuela possuem desavenças há mais de um século, mas um conflito de grandes proporções nunca foi factível como agora.

Uribe é acusado de ser um cão americano, um mascotinho da política bélica americana. Pode ser, porém, graças a isso eles atingiram vitórias importantes no combate às FARC e outros grupos que desestabilizavam a sociedade. Cartéis de drogas estão perdendo batalhas para o exército colombiano, algo impensável na década de 1990. Uribe é um marco de mudanças institucionais importantes e de um alinhamento claro às posições de governos americanos. Porém, vale ressaltar que Uribe não é o responsável pelos acordos (fechados desde a década de 1980), ele simplesmente fez as políticas necessárias e não ficou de rabo preso com traficantes e cartéis. Com certeza ele fez acordos para sustentar uma paz frágil, mas a população gosta de resultados.

Chávez por outro lado manteve a dependência no petróleo que exporta, esbofeteou a mesa mais de cinquenta vezes nos últimos anos, praguejou contra os EUA, Colômbia e contra nosso legislativo (2007) e insiste em inundar a região de armamentos de grande porte. Nada contra os armamentos, desde que seu uso seja apenas dissuasivo. A partir do momento em que as ameaças tornam-se reais e um conflito pode chegar às fronteiras do Brasil, a corrida armamentista está dada. China, Rússia e Irã são aliados de Chávez, mas entrariam em conflitos por ele? Jamais. Os EUA com certeza irão intervir a favor de Uribe.

Chávez está enforcado numa democracia (?!) de papel e precisa unir seu povo em prol de um inimigo. Mantendo a unidade nacional e a comoção entre seus aliados. Não existe o Estado Venezuela governado por Chávez. Existe apenas a Venezuela de Chávez (que é governo e Estado ao mesmo tempo).

ca_chavezEste é o legado diário de Chávez para a posteridade.

Análises | nov 11

Peru - O Ochenio de Manuel Odría (1948-1956)


Estou disponibilizando para download um trabalho que entreguei para conclusão de uma pós-graduação (Latu Sensu) em América Latina.

Refere-se a um período quase nada estudado de um Estado bastante desprezado por muitos analistas, mas que apresenta taxas consideráveis de crescimento e que superou inúmeros desafios relevantes aos vizinhos na região. Odría (governou de 1948-1956 - daí o “Ochenio” [período de oito anos]) aplicou políticas inovadoras em um país regido pela histórica cisão de classes.

Enfim, a opinião de vocês é sempre bem-vinda.

peru_versao_legado1 (pdf)

Quando a Imoralidade Invade a Administração


O curso de Administração de Empresas (e o curso de “Business” no exterior) é cada vez mais procurado por mais e mais jovens que sonham com sucesso, gerências, diretorias e, enfim, poder.

De uma proto-ciência, derivada da economia, está surgindo um ramo farto para se ganhar dinheiro com obras literárias de baixo teor teórico e mínimo teor ético. Um exemplo disso é o livro “Gerenciando como a Máfia“. Esse livro se autoproclama ‘Um Guia para o Maquiavel Empresarial’. Teoricamente foi escrito por um integrante da máfia que resolveu abrir as regras administrativas dessa entidade e aplicá-las ao contexto empresarial.

germafia

Primeiro: Maquiavel jamais apoiaria uma porcaria dessas. Só alguém que leu Maquiavel através de citações do google possui um entendimento tão pobre como esse, do tipo “os fins justificam os meios”. A dimensão político-teórico-filosófica de Maquiavel é enorme, vasta, rica em teorias de absolutismo e governos republicanos. Mas não vamos esperar que um “mafioso” entenda disso. Ele provavelmente leu uma edição resumida e comentada de “O Príncipe” e esqueceu que Maquiavel tem mais umas 10 obras importantes.

Além de tudo, vejam a resenha da loja online cujo link está acima:

Diferentemente de outros guias de administração, ‘Gerenciando como a Máfia’ evita a verborragia teórica e expõe a prática e orientação filosófica da liderança que fundou e dirigiu o “Império silencioso” durante séculos de expansão e sucesso. E em vez de encarar esses planos de ação e conselhos preciosos como produtos da chamada “mente criminosa”, encara-os como o que realmente são: o reflexo de uma profunda compreensão da natureza humana. ‘Gerenciando como a máfia’ é um guia de administração extremamente prático. Depois de lê-lo, ninguém voltará a olhar para seu ambiente de trabalho com os mesmos olhos.

Império Silencioso de expansão e sucesso? Parece mais alguém que assistiu os filmes do “Poderoso Chefão”, se empolgou e depois de refletir muito sobre isso, escreveu essa porcaria. Além de tudo, chamar uma organização criminosa que age fora da lei e encara o mundo como inimigo de um império é palhaçada. Defender a Máfia é coisa de desvairado.

Enfim, nossos administradores lêem Maquiavel atráves de terceiros, não entendem que a boa administração parte do entendimento e compreensão, e já vêem o próximo como concorrente e, consequentemente, mau. Dessa forma, qualquer noção de empresa como agente para melhorar algo fica vencida por dogmas plantados por um infeliz que nunca saiu de casa sem uma arma na mão para seu “ganha-pão”. Pelo que sei, mafioso não precisa se preocupar em trabalhar feito louco de sol a sol.

Além de tudo isso, Al-Capone e outras figuras são fontes de citações. Qual o tipo de liderança irá advir desse processo? Um ignorante que trata subordinados como terrorista e ganha apenas ódio em troco jamais vai construir um império silencioso, vai construir uma resistência silenciosa que irá arrastar a empresa para o fracasso através de erros forçados e uma falta de perspectivas que arrasará qualquer chance de estruturação produtiva descente. Muito me surpreende a edição em português esgotada desta porcaria, mas hoje em dia, qualquer coisa que ensine pessoas a ganhar dinheiro e gerenciar suas vidas, vende como sorvete na praia.

Os acadêmicos de administração têm o dever ético de apresentar a visão contrária desta, e a ensinar que uma pessoa que age dentro da ética acaba tendo sucesso como consequencia. Demora, mas é sustentável, duradouro e meritocrático. Quem encara o outro como seu inimigo é um covarde sem conhecimento para uma competição limpa. Isso é a máfia.

O Capitalismo só é uma praga, quando vermes aplicam-no desta forma. O Capital não é um ente que age sozinho, mas é manipulado por mãos, na maioria das vezes, irresponsáveis e imorais.

Análises | nov 4

Chávez no Mercosul?


Durante a próxima semana, as casas legislativas do Brasil irão analisar e, provavelmente aprovar, a entrada da Venezuela como membro do Mercosul.

Na verdade, através de um ato institucionalista por natureza, estamos provando que nas relações internacionais, tratados são papéis maleáveis à necessidade. Tanto é assim, que uma norma fundamental está sendo descumprida.

Uma das normas para admissão de novos membros, além da aprovação de todos os outros, é a de que o Estado candidato seja uma democracia em funcionamento, ou seja, que liberdades sejam respeitadas e de que seus governantes sejam instrumentos do Estado, e não sua personificação. É o que acontece na Venezuela?

Provavelmente não. E digo provavelmente pois não tenho informações confiáveis de lá (visto que a mídia de massas é dominada pelas propagandas chavistas). Alguém que nacionaliza o Hilton, não merece crédito para entrada em um bloco que se destina ao livre comércio. Se nada é livre dentro da Venezuela, imagine no que eles puderem influenciar para fora.

Qual a segurança de um empresário brasileiro para investir lá? Depois das ações patéticas de Evo Moralez e a fraca resposta brasileira, não vejo como arriscar tanto.

Chávez é amiguinho de Lula, mas até que ponto?

Gostemos ou não, o bispo-pai-de-muitos do Paraguai negociou bilateralmente suas demandas, mas de forma correta e sem ameaças, como deve ser. O Brasil cedeu pois entendeu que as demandas eram justas. Se vale a pena ou não, só o futuro dirá.

Voto de confiança em Chávez é uma piada, e devemos repudiar a presença deste aspirante a Stálin. Presença no Mercosul não integraria Chávez com os outros países, apenas integraria suas demandas absurdas e tumultuaria o bloco estável.

Enfim, a política no escuro e as negociações atrás do palco devem comandar a entrada desse pífio aspirante a personagem histório no Mercosul. Ruim para nós.

Análises | out 29

Religião e Atraso


As religiões, de modo geral, representam um norte, um guia aos valores éticos e morais que as pessoas deveriam seguir para seu próprio bem. Seja pela punição ou bênção divinas, seja pela própria manutenção de sua alma em um ciclo de progresso.

Porém, dentre todas as instituições religiosas, nenhuma alterou tanto o rumo do Ocidente como a Igreja Católica Apostólica Romana, que impôs as trevas à toda uma cultura e trouxe os malefícios de um milênio de escuridão, ignorância e culto ao além se racionalidade. Porém, os papas, cardeais e ministros detinham o conhecimento e progrediam dentro de monastérios. Prova de que conhecimento é sim PODER e AÇÃO.

De qualquer forma, o Vaticano realiza neste ano uma exposição para comemorar o Ano da Astronomia (Astrum 2009). Engraçado, condenar Galileu, escorraçar Copérnico e desmentir tantos gênios como fizeram, levaria estes seres iluminados ao paraíso. Com certeza não levou.

Só em 1992 o Papa teve coragem suficiente para admitir o erro cometido em 1633. Matemática básica (nem astronomia) leva-nos a concluir que 359 anos de injustiça passam rápido. Tão rápido que os manuscritos de Galileu e seus telescópios foram preservados, afinal de contas, a informação estava correta, os equipamentos também, o problema é que a galera em geral não poderia saber disso (política de poder - como em qualquer instituição). Condena-se o astrônomo, condena-se o conhecimento disseminado, mas guardamos o saber para utilizar quando conveniente.

OK, afinal de contas, Religiões são excelentes, o que estraga são os intermediários. Prova disso segue abaixo, matéria publicada no site “acidigital” cujo lema é “o que todo católico necessita saber“. Ou seja, pouco mudou para eles, já que continuam decidindo o que eles devem ler ou não. Enfim, no mundo livre de hoje, cada um faz e segue o que quer.

O texto abaixo é colado na íntegra e sem alterações:

ROMA, 26 Mai. 09 / 04:36 am (ACI).- O Arcebispo de Florença, Dom Giuseppe Betori, assinalou que o diálogo entre a fé e a razão é fundamental, especialmente em relação ao caso Galileu, com o qual se pode superar este “doloroso mal-entendido”, no marco do Congresso Internacional “Galileu 2009″ que reúne a conotados peritos para discutir este tema desde o ponto de vista, histórico, filosófico e teológico; entre o 27 e 29 de maio.

O Prelado assinalou que “com freqüência este ‘doloroso mal-entendido’ é interpretado erroneamente como ‘o reflexo de uma oposição constitutiva entre ciência e fé’. Minha esperança é que é evento mostre o infundado desta opinião”.

Dom Betori expressou também que “a celebração do ano internacional da astronomia e a memória da vida, obra e engenho de Galileu, favoreçam uma proposta criativa do fundamental diálogo entre a razão e a fé, na perspectiva de uma permanente e construtiva colaboração entre a Igreja e as instituições de investigação científica, desenvolvimento econômico e promoção social”.

“A fé –precisou– não cresce com o rechaço da racionalidade, mas sim se for inserida em um horizonte de racionalidade mais amplo”.

Seguidamente o Arcebispo explicou que “a mesma razão, sem fé, corre o risco de reduzir-se ao cálculo e exclusiva valorização de conflitos de interesses, com freqüência está cega frente aos interrogantes vitais, valores fundamentais e dramáticas situações humanas”.

Por essa razão, prosseguiu, “o diálogo entre razão e fé deve continuar. A natureza extremamente complexa e, às vezes, inédita das problemáticas éticas, sociais e políticas que sofrem rápidos desenvolvimentos com as investigações científicas e das aplicações tecnológicas contemporâneas, no âmbito de um crescente processo de globalização e interdependência econômica, exigem de fato a liberdade interior e a boa vontade de parte de todos, crentes e não crentes”.

Nesta perspectiva, concluiu o Arcebispo de Firenze no artigo publicado por L’Osservatore Romano, “a inauguração do congresso internacional na solene majestade da Basílica da Santa Cruz, aonde está a tumba de Galileu, na presença do Presidente da República, representantes de instituições aderentes e de numerosas autoridades culturais, políticas e religiosas, assume não só um alto valor cultural e simbólico, mas também indica que subsistem as condições para um construtivo compartilhar de responsabilidades, na consciência dos respectivos papéis e tarefas”.

Chamar o julgamento e condenação de Galileu de “MAL-ENTENDIDO” não pode ser mais do que uma piada de mau gosto.

Análises | out 15

Políticas Bélicas - EUA e Rússia


Kant já deixava claro em “A Paz Perpétua” que as políticas entre os Estados deveriam ser realizadas à luz do dia. Ou seja, com conhecimento compartilhado e maior transparência possível. Enfim, algo que movesse a espiral de violência para longe, já que uma espiral de conflito não se formaria com plena confiança de intenções entre as partes envolvidas.

Algo que soa um tanto lógico, mas que os EUA parecem estar aprendendo. Após muitos anos de insistência de Nye martelando os conceitos e ações de “soft power”, muitas mudanças sutis parecem estar acontecendo. Os jogos de pré-temporada da NBA e da NFL estão ocorrendo em outros países, a música e o cinema dos EUA estão cada vez mais infiltrados em canais de televisão baratos ao redor do mundo, é quase impossível imaginar algum jovem que desconheça qualquer seriado da TV americana, etc. Mas talvez o passo maior tenha sido a mudança de concepção em relação à Rússia.

Bush filho tinha a pretensão de instalar um escudo anti mísseis no quintal russo (qualquer um que pense que República Tcheca e Polônia não pertencem à influência russa, está vivendo outro período histórico - em última instância, a Geórgia demonstrou como os EUA não ajudam seus aliados na borda russa). Claro que isso despertou a insegurança e a desconfiança, o que deteriorou ainda mais as relações EUA-Russia. Obama fez o gesto positivo de cancelar esse projeto, retomando as conversações paradas e contribuindo para inserção da Rússia numa teia de interdependência que a torne menos volátil. Além disso, Hilary Clinton está em Moscou propondo, neste instante, a criação de um sistema comum de defesa, envolvendo EUA e Rússia como lideranças no assunto.

Movimento excepcional de avanço diplomático. Nada é mais difícil de integrar e avançar do que assuntos que tratem de armamentos e mísseis. O trabalho em conjunto traz segurança prática e garante uma aliança pouco mais duradoura do que apenas tratados. Claro, sempre há alguém que paga por isso, e neste caso é a Ucrânia, sacrificada em prol de “interesses maiores”. Ou seja, a alegria americana e russa depende da infelicidade ucraniana, que volta a ser utilizada como um satélite russo na região e passa a sofrer cada vez mais pressão de Medvedev.

Palmas para Obama e lágrimas para Ucrânia. Palmas para Kant e lágrimas para Waltz.

Análises | out 13

A Construção de um Mito - Obama


Daqui a algumas décadas, falaremos do ser mitológico, Obama.

Um político eleito em meio ao caos, que comanda a maior potência da Terra, e em meio a todas as dificuldades, ainda se destaca em muitas áreas.

É inacreditável que um presidente da nação que possui armamentos para destruir o universo algumas centenas de vezes, possa ganhar um prêmio Nobel da PAZ. Inacreditável como a hipocrisia continua a tomar conta de todas as áreas. Como um ganhador do Nobel pode ser responsável maior de um orçamento de mais de US$ 600 Bilhões? Como um ser tão pacifista lidera a coalizão de guerra no Afeganistão? COMO O REPRESENTANTE DA PAZ MATA CIVIS DIARIAMENTE?

Aliás, tipicamente ocidental. Premiar Obama é algo que somente irá definir a diferença entre ele e Bush. A política externa assassina de apoio à Israel e massacres no Oriente continua. A falha absurda na implantação do conceito de Estado-Nação no Afeganistão “democrático” irá permanecer por décadas. Inocente e ingênuo aquele que acha que há um prazo para o final da guerra. Claro, haverá para os americanos, mas os afegãos tendem a morrer em um conflito civil de décadas e mais décadas.

Será que analisando friamente, foi algo justificável?

Premiar Obama é premiar os EUA. É premiar a falência da moral e a má política. É premiar nossa ignorância.

“O comitê deu muita importância à visão e aos esforços de Obama na perspectiva de um mundo sem armas nucleares”, disse o presidente do Comitê Nobel da Noruega, Thorbjoern Jagland. “Muito raramente uma pessoa com a influência de Obama capturou a atenção do mundo e deu às pessoas a esperança de um futuro melhor.”

Não sei se sou muito egoísta e exigente, mas creio que as políticas de desarmamento nuclear e as promessas de futuro fazem parte da política americana há décadas, ou seja, não passa da obrigação de Obama partir para esse lado. Estranho seria ele promover o confronto nuclear e a desesperança a todos, ou não?

Logo, fazendo nada mais do que sua obrigação, Obama é premiado com o Nobel. Quanta decadência. Tenho certeza que em meio ao inferno de Darfur, ou na Armênia e na Palestina, existem pessoas lutando mais ativamente e com menos recursos do que Obama. Isso para não falar em tsunamis, catástrofes e vulcões, que têm em pequenos heróis, grandes almas.

Mas vamos premiando um Estado assassino e criando um mito cúmplice. Viva!

Análises | out 9

HIPOCRISIA - Roman Polanski


É um show de horror. Estupro e pedofilia caminham juntos, e ambos são hediondos em qualquer lugar civilizado.

Como explicar que um criminoso possua tal defesa internacional?

Roman Polanski foi julgado e condenado por pedofilia e estupro na década de 1970, em uma menina de 13 anos. Ridiculamente horrendo e realmente digno de condenação, aqui e em grande parte do mundo. O cidadão é tão covarde que se refugiou na França e, desde então, foge de sua sentença.

Até que caiu na armadilha Suiça. Excelentemente projetada e feita para isso. Como há um acordo bilateral de extradição entre Suiça e EUA, nada mais justo do que enviar um estuprador pedófilo para cadeia.

É assustador o enorme movimento internacional, especialmente de cineastas e atores para defendê-lo. Quer dizer que, por ser famoso, judeu, filho de vítimas do Holocausto, cineasta de sucesso, etc.  ele é um ser humano diferenciado? Ele está acima da justiça? Qual a justificativa? “Ah, o crime foi há muitos anos…”

E se fosse sua filha? Quantas décadas seriam suficientes para o crime evaporar?

Link para descrição e processo completo (em inglês)

Leia a descrição da menina. Identifique-se com seu sofrimento. Depois tente defender um animal.

Análises | out 2

Os Movimentos do Irã


O que deseja o Irã?

Em várias atitudes classificadas como “provocativas” pela comunidade internacional, o Irã vem testando misseis de curto e médio alcance, em uma mensagem clara de que ele pode manipular artefatos e atacar a qualquer distância necessária. A questão não é mais SE o Irã terá a capacidade de utilizar a energia atômica para destruição em massa. É QUANDO.

O argumento institucionalista contra o Irã é baseado no fato deste ter assinado o TNP e se comprometido com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre as vistorias de suas usinas. Ele claramente desrespeitou esses comprometimentos, baseando-se na idéia de que cada Estado é livre para fazer o que bem entender.

Essa guinada ao realismo traz dilemas de segurança e desconfiança, além de um equilíbrio baseado no medo. A cada novo movimento iraniano os israelenses protestam, ameaçam e fragilizam mais a situação. O regime dos Aiatolás não deixa por menos, e semanalmente afirma que qualquer ação israelense resultaria em uma guerra total. Isso ajuda a frear os ânimos, mas até quando?

É como uma pessoa caminhando sob um barranco, cedo ou tarde ela vai escorregar. O lado que escorregar primeiro será o estopim de um novo conflito desastroso para região. O armamento nuclear não será concentrado em uma grande bomba, mas fragmentado em pequenas ogivas de baixo poder de destruição. Israel e Irã possuem tecnologia nuclear (apesar de negarem) e criaram sim um equilíbrio do terror. Quem é o culpado?

Difícil de responder. O Ocidente tem uma grande parcela de culpa, mas Israelenses e iranianos também. Os primeiros sempre foram lacaios americanos e defenderam cegamente interesses de uma nação que não buscava a salvação, mas sim sangue. Os últimos não ficam muito atrás, e manipulam a religião para o conflito sempre que é interessante.

Mas análise boa é aquela que coloca uma hipótese de solução, ao invés de ficar apontando dedos para culpados. No caso, penso que a melhor estratégia seria trazer o Irã para o convívio na comunidade internacional, exigindo um comprometimento com as políticas e não com os valores ocidentais. Uma maior participação no auxílio a outros Estados e uma integração comercial seria a sinalização perfeita para desarmar o dilema de segurança a tempo de evitar mais um conflito infundado.

Quanto mais o Irã for pressionado e exigido sem contrapartida, mais fundamento e apoio haverá à realização de manobras que só quebram o tênue equilíbrio internacional. A tendência é de que mais usinas subterrâneas surjam e que a desconfiança só faça aumentar, até o ponto em que estabelecer o equilíbrio seja impossível. A única maneira de dissolver o quadro agora é apelar para interdependência, aumentando as redes econômicas e transações, atos que não provoquem um choque de valores fundamentais com o ocidente e que torne a retórica do caos um fator de prejuízo mútuo.

Porém, é preciso que o ocidente aprenda a criar uma barreira, de forma a permitir que cada Estado resolva seus assuntos internos conforme sua própria doutrina. Esse ato será fundamental para harmonização das relações inter-estatais, já que o fracasso das OIs é claro.

O que deseja o Irã? Atençao.

Análises | set 29

Discurso de Lula na ONU (Reunião Número 64)


Segue abaixo o discurso de Lula na íntegra. O Brasil (como tradição) abre a reunião da Assembéia Geral da ONU.

Meus cumprimentos ao presidente da Assembléia Geral, Ali Treki, ao secretário-geral, Ban Ki-moon, e a todos chefes de Estado e delegados presentes.

Senhoras e senhores,

A Assembléia Geral das Nações Unidas tem sido e deve ser cada vez mais o grande foro de debate sobre os principais problemas que afligem a humanidade.
Quero abordar aqui três questões cruciais, que me parecem interligadas, três ameaças que pairam sobre nosso planeta: a persistência da crise econômica, a ausência de uma governança mundial estável e democrática e os riscos que a mudança climática traz para todos nós.

Senhor Presidente,

Há exatamente um ano, no limiar da crise que se abateu sobre a economia mundial, afirmei, desta tribuna, que seria um grave erro, uma omissão histórica imperdoável, cuidarmos apenas das consequências da crise sem enfrentarmos as suas causas.

Mais do que a crise dos grandes bancos, essa é a crise dos grandes dogmas. O que caiu por terra foi toda uma concepção econômica, política e social tida como inquestionável. O que faliu foi um insensato modelo de pensamento e de ação que subjugou o mundo nas últimas décadas. Foi a doutrina absurda de que os mercados podiam auto-regular-se, dispensando qualquer intervenção do Estado, considerado por muitos um mero estorvo. Foi a tese da liberdade absoluta para o capital financeiro, sem regras nem transparência, acima dos povos e das instituições. Foi a apologia perversa do Estado mínimo, atrofiado, fragilizado, incapaz de promover o desenvolvimento e de combater a pobreza e as desigualdades; a demonização das políticas sociais, a obsessão de precarizar o trabalho, a mercantilização irresponsável dos serviços públicos. A verdadeira raiz da crise foi o confisco de grande parte da soberania popular e nacional – dos Estados e dos governos democráticos – por circuitos autônomos de riqueza e de poder.

Afirmei que era chegada a hora da política. Disse que governantes – e não tecnocratas arrogantes – deveriam assumir a responsabilidade de enfrentar a desordem mundial. O enfrentamento da crise e a correção de rumo da economia mundial não poderiam ficar apenas a cargo dos de sempre. Os países desenvolvidos – e os organismos multilaterais onde eles eram hegemônicos – foram incapazes de prever a catástrofe que se iniciava e, menos ainda, de preveni-la.

Os efeitos da crise se espalharam por todo o mundo, golpeando inclusive e sobretudo àqueles que há anos vinham reconstruindo suas economias com enormes sacrifícios. Não é justo que o custo da aventura especulativa seja assumido pelos que nada tem a ver com ela: os trabalhadores e as nações pobres ou em desenvolvimento.

Passados doze meses, constatamos que houve alguns progressos mas que persistem muitas indefinições. Ainda não há uma clara disposição para enfrentar, no âmbito multilateral, as graves distorções da economia global. O fato de ter sido evitado o colapso total do sistema parece ter provocado em alguns um perigoso conformismo.

A maioria dos problemas de fundo não foi enfrentada. Há enormes resistências em adotar mecanismos efetivos de regulação dos mercados financeiros. Países ricos resistem em realizar reformas nos organismos multilaterais, como o FMI e o Banco Mundial. É incompreensível a paralisia da Rodada de Doha, cujo acordo beneficiará sobretudo as nações mais pobres do mundo. Há sinais inquietantes de recaídas protecionistas. Pouco se avançou no combate aos paraísos fiscais.
Mas muitos países não ficaram de braços cruzados. O Brasil – um dos últimos, felizmente, a sentir os efeitos da crise – é hoje um dos primeiros a sair dela. Não fizemos nenhuma mágica. Simplesmente havíamos preservado nosso sistema financeiro do vírus da especulação. Havíamos reduzido nossa vulnerabilidade externa, passando da condição de devedores à de credores internacionais.
Decidimos, junto com outros países, aportar recursos para que o FMI empreste dinheiro aos países mais pobres sem os condicionamentos inaceitáveis do passado. Mas, sobretudo, desenvolvemos antes da crise, e depois que ela eclodiu, políticas anticíclicas.

Aprofundamos nossos programas sociais, especialmente os de transferência de renda. Aumentamos os salários acima da inflação. Estimulamos, por meio de medidas fiscais, o consumo para impedir que se detivesse a roda da economia.
Já saímos da breve recessão. Nossa economia retomou seu ímpeto e anuncia um 2010 promissor. As exportações recuperam seu vigor. O emprego se recompõe de forma extraordinária. O equilíbrio macroeconômico foi preservado sem afetar as conquista populares. O que o Brasil e outros países demonstraram é que também nos momentos de crise precisamos realizar audaciosos programas sociais e de desenvolvimento.

Mas não tenho a ilusão de que poderemos resolver nossos problemas sozinhos, apenas no espaço nacional. A economia mundial é interdependente. Estamos todos obrigados a atuar além de nossas fronteiras. Por isso, é imprescindível refundar a ordem econômica mundial.

Nas reuniões do G-20 e nos muitos encontros que mantive com líderes mundiais tenho insistido sobre a necessidade de irrigar a economia mundial com importantes créditos. Tenho defendido a regulação financeira, a generalização de política anti-cíclicas, o fim do protecionismo, o combate aos paraísos fiscais. Com a mesma determinação, meu país propõe uma autêntica reforma dos organismos financeiros multilaterais.

Os países pobres e em desenvolvimento têm de aumentar sua participação na direção do FMI e do Banco Mundial. Sem isso não haverá efetiva mudança e os riscos de novas e maiores crises serão inevitáveis. Somente organismos mais representativos e democráticos terão condições de enfrentar complexos problemas como os do reordenamento do sistema monetário internacional.
Não é possível que, passados 65 anos, o mundo continue a ser regido pelas mesmas normas e valores dominantes quando da conferência de Bretton Woods.

Não é possível que as Nações Unidas e seu Conselho de Segurança sejam regidos pelos mesmos parâmetros que se seguiram à Segunda Guerra Mundial.
Vivemos um período de transição no âmbito internacional. Caminhamos em direção ao mundo multilateral. Mas também multipolar, seguindo as experiências de integração regional, como ocorre na América do Sul com a constituição da UNASUL. Esse mundo multipolar não será conflitante com as Nações Unidas. Ao contrário. Poderá ser um fator de revitalização da ONU. De uma ONU com a autoridade política e moral para solucionar os conflitos do Oriente Médio, garantindo a coexistência de um Estado Palestino com o Estado de Israel; de uma ONU que enfrente o terrorismo sem estigmatizar etnias e religiões, mas atacando suas causas profundas e promovendo o diálogo de civilizações; de uma ONU que assuma a ajuda efetiva a países – como o Haiti – que buscam reconstruir sua economia e seu tecido social depois de haver recuperado a estabilidade política; de uma ONU que se comprometa com o Renascimento africano que hoje assistimos; de uma ONU capaz de adotar políticas eficientes de preservação e ampliação dos Direitos Humanos; de uma ONU que possa avançar no caminho do desarmamento estabelecendo um real equilíbrio entre este e a não-proliferação; de uma ONU que lidere cada vez mais as iniciativas para preservar o ambiente; de uma ONU que, por meio do ECOSOC, incida nas definições sobre o enfrentamento da crise econômica; de uma ONU suficientemente representativa para enfrentar as ameaças à paz mundial, por meio de um Conselho de Segurança renovado, aberto a novos membros permanentes.
Senhor Presidente,

Não somos voluntaristas. Mas sem vontade política não se pode enfrentar e corrigir situações que conspiram contra a paz, o desenvolvimento e a democracia. Sem vontade política persistirão anacronismos como o embargo contra Cuba. Sem vontade política continuarão a proliferar golpes de Estado como o que derrocou o Presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, que se encontra, desde segunda-feira, refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. A comunidade internacional exige que Zelaya reassuma imediatamente a Presidência de seu país e deve estar atenta à inviolabilidade da missão diplomática brasileira na capital hondurenha.

Sem vontade política, por fim, crescerão as ameaças hoje representadas pela mudança climática no mundo. Todos os países devem empenhar-se em realizar ações para reverter o aquecimento global.

Preocupa-nos a resistência dos países desenvolvidos em assumir sua parte na resolução das questões referentes à mudança do clima. Eles não podem lançar sobre os ombros dos países pobres em desenvolvimento responsabilidades que lhes são exclusivas.

O Brasil está cumprindo a sua parte. Vamos chegar a Copenhague com alternativas e compromissos precisos. Aprovamos um Plano de Mudanças Climáticas que prevê a redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020. Diminuiremos em 4,8 bilhões de toneladas a emissão de CO2, o que representa mais do que a soma dos compromissos de todos os países desenvolvidos juntos.

Em 2009, já podemos apresentar o menor desmatamento dos últimos 20 anos. A matriz energética brasileira é das mais limpas do planeta: Quarenta e cinco por cento da energia consumida no país é renovável. No resto do mundo apenas 12% é renovável, enquanto que nos países da OCDE essa proporção não supera 5%. Oitenta por cento de nossa eletricidade provém igualmente de fontes renováveis. Vinte e cinco por cento de etanol está misturado à gasolina que consomem nossos veículos. Mais de 80% dos carros produzidos no país têm motor flex, o que permite a utilização indiscriminada de gasolina ou álcool.
O etanol brasileiro e os demais biocombustíveis são produzidos em condições cada vez mais adequadas, sobretudo a partir do zoneamento agroecológico que acabamos de implantar, mandando para o Congresso Nacional.

Proibimos a cana-de-açúcar e as usinas de álcool em áreas de vegetação nativa. A decisão vale para toda Amazônia e nossos principais biomas.

O plantio da cana-de-açúcar não ocupa mais do que 2% de nossas terras agricultáveis. Distinto de outros biocombustíveis, ele não afeta nossa segurança alimentar nem compromete o equilíbrio ambiental. Empresários, trabalhadores e governo firmaram um importante compromisso para assegurar o trabalho decente nos canaviais brasileiros.

Todas essas preocupações fazem parte da política energética de um país autosuficiente em petróleo e que acaba de descobrir grandes reservas que nos colocarão na vanguarda da produção de combustíveis fósseis. Mas o Brasil não renunciará à agenda ambiental para ser apenas um gigante do petróleo. Queremos consolidar nossa condição de potência mundial da energia verde.
Por outro lado, deve-se exigir dos países desenvolvidos metas de redução de emissões muito mais expressivas do que as atuais, que representam mera fração do que é recomendado pelo Painel Inter-governamental para a Mudança do Clima.

Causa-nos também profunda preocupação a insuficiência dos recursos até agora anunciados para as necessárias inovações tecnológicas que preservarão o ambiente nos países em desenvolvimento.

A resolução desses e outros impasses só ocorre se as ameaças ligadas às mudanças climáticas forem enfrentadas a partir da compreensão de que temos responsabilidades comuns, mas diferenciadas.

Senhor Presidente,

Os temas que estão no centro de nossas preocupações – a crise financeira, a nova governança mundial e a mudança do clima – têm um forte denominador comum. Ele aponta para a necessidade de construir uma nova ordem internacional, sustentável, multilateral, menos assimétrica, livre de hegemonismos e dotada de instituições democráticas. Esse mundo novo é um imperativo político e moral.

Não basta remover os escombros do modelo que fracassou, é preciso completar o parto do futuro. É a única forma de reparar tantas injustiças e de prevenir novas tragédias coletivas.

Obrigado.”

Como era esperado, Lula abordou os temas-chave da atualidade, energia, meio ambiente e incluiu a questão de Honduras.

Análises | set 23

O Delírio de Kadafi


Muamar Kadafi, ditador da Líbia, um dos líderes mais controvertidos do mundo irá apresentar uma “pequena” proposta na Assembéia da ONU dia 23/09/2009. A dissolução da Suiça (link).

Quem imagina que há um motivo político sério nessa proposta, está enganado. É uma retaliação à prisão de seu filho, conforme informa a Agência Estado:

A iniciativa seria uma resposta à “ousadia” dos suíços por terem detido no ano passado o filho caçula do líder líbio, Hannibal, após ele ter espancado dois funcionários de um hotel de Genebra. As vítimas chamaram a polícia e o líbio foi levado à delegacia. Irritado, Kadafi decidiu retaliar, interrompendo o comércio com a Suíça - incluindo a venda de petróleo. Além disso, sequestrou dois suíços, que há mais de 400 dias estão sem poder sair da Líbia. Para obter a libertação de seus cidadãos, o presidente da Suíça, Hans Rudolf Merz, pediu desculpas oficiais. Genebra enviou então um avião a Trípoli para buscar os sequestrados. Uma semana depois, porém, o avião retornou para a Europa vazio. Agora, Merz sofre pressão interna para deixar o cargo.

Ou seja, o mimadinho caçula esfola dois funcionários de um hotel num lugar civilizado, onde as pessoas têm respeito, é preso por isso e solto logo em seguida. Daí papai vai e realiza a retaliação, SEQUESTRA suiços, EMBARGA o país e causa uma turbulência interna num Estado que é pacífico há muito tempo.

Esse é o maior problema que as ditaduras trazem, a pessoalidade nas decisões. Um dia que o ditador dorme de calça jeans é o suficiente para ele arrebentar qualquer instituição/tratado feito, e até destruir relações comerciais importantes. Kadafi acusa a Suiça de “não [ser] um Estado, é uma máfia mundial, formada por uma comunidade italiana que deveria voltar para a Itália, uma comunidade alemã que deveria voltar para a Alemanha e uma comunidade francesa que deveria voltar para a França” (discurso dele no G-8 em julho).

Mas qual a relevância de Kadafi? Seguindo um caminho oposto ao Irã e a Coréia do Norte, ele renunciou ao programa nuclear Líbio após a pressão americana na era Bush. Porém a renúncia exigia que a comunidade internacional o reconhecesse como líder legítimo do Estado líbio e que ele tivesse voz nos fóruns de discussão internacionais em assuntos que fossem do interesse de seu Estado. Com isso, o mundo reconheceu a Líbia, ditatorial e com várias violações no currículo, como um membro legítimo  e pleno do concerto de Estados.

Esse reconhecimento dá margem à esse tipo de postura. Duvido muito que essa proposta tenha algum tipo de apoio, mas somente sua proposição no palanque já demonstra a necessidade de reformas nos organismos internacionais. Não é uma questão de liberdade, mas sim de responsabilidade. Israel arrasa países inteiros e regiões sem a mínima condição de defesa pelo sequestro de SOLDADOS, não turistas civis por lá; os EUA detonaram o Afeganistão e o Iraque apenas por ações preventivas; os Bálcãs recolhem corpos até hoje por conflitos étnicos que arrastaram a OTAN num redemoinho de sangue; mas essa postura dúbia em relação a Líbia abre prescedentes importantes e perigosos.

É uma proposta estúpida, mas possibilitada pela falta de ética do Ocidente e também pela falta de coordenação de políticas importantes para o mundo. Menos discussão e mais solução.

Análises | set 22

A Resistência Pacífica - Colinas de Golã e Facebook


O que há em comum entre as Colinas de Golã (ocupadas por Israel desde 1967), a resistência síria (pacífica em sua essência) e o Facebook (fenômeno na comunicação da internet)?

Acabei de ler um artigo MUITO interessante na CNN (link). Não é nada muito construtivo, mas pode nos fazer refletir até nas coisas mais simples. Imagine que você reside nas Colinas de Golã, de origem síria, mas que está ocupada por Israel. O que você colocaria como “terra natal” no seu cadastro? Israel ou Síria?

Pode parecer uma bobagem à primeira vista, e se você é uma pessoa que não acredita na permeabilidade política no cotidiano, pode fechar o site e ir ler a coluna de moda do Terra (link).

No entanto, para quem continuou, há um dilema fundamental que transforma essa questão em algo muito sério. Ela permeia alguns princípios norteadores da situação na região até então. A Guerra dos Seis dias, em 1967, foi a época em que Israel extendeu seus domínios pela região, alegando uma auto-defesa a um ataque coordenado árabe. Desde então, árabes que estavam lá e israelenses (estabelecidos em acampamentos, como “colonizadores”) têm vivido em relativa calma política, sem acirrados conflitos étnicos que guiam as relações Palestina x Israel por exemplo. Os sírios partem da idéia coerente e realista de que a resistência pacífica é o melhor meio para esta questão.

golanheightsPor um lado, eles estão cobertos de razão. Israel já demonstrou que não é razoável para negociar ou para qualquer diálogo referente à devolução desses territórios. Aonde o Facebook se encaixa? Justamente na questão da identificação nacional.

De acordo com a CNN, recentemente só era possível se cadastrar daquela região como Sírio ou ´sem nacionalidade´. Isso causou um desconforto em quem se considerava israelense, e gerou um movimento enorme na internet, que levou o Facebook a inserir aquela opção. Então duas vertentes começaram a correr:

- O governo Sírio vai bloquear o site onde puder, para evitar uma escalada política por algo tão “insignificante” a seus olhos; além disso, essas midias sociais são poderosas armas de fragmentação de informações que o Estado não gostaria que vazassem. Druzos na fronteira ainda têm acesso.
- Os ativistas israelenses vão incentivar os acessos e os cadastros como uma demonstração de força, para minar uma pressão política que pudesse, eventualmente, surgir dessa situação.

Os sírios então irão proibir o site e os israelenses tirarão o maior proveito possível. O engraçado é que tudo isso devido a uma mídia social que não deveria ter propósitos políticos.

De qualquer forma, tudo é política, não é?

Análises | set 21